Domingo, 31 de Maio de 1987. Estádio do Restelo. Última Jornada do Nacional da 1ª Divisão. Época 86/87. O jogo acaba com a vitória do Desportivo sobre o Belenenses, um a zero, como golo de Garrido aos 37 minutos. O Chaves acaba o Campeonato em 5º lugar com mais três pontos que o adversário deste dia.
Quarta-feira, 16 de Setembro de 1987. Taça UEFA. Época 87/88. 1ª Eliminatória. 1ª mão.
O Desportivo chega a uma vantagem de dois golos (Gilberto e Vermelhinho), os romenos recuperam e fazem três golos. Eliminatória em aberto.
Quarta-feira, 30 Setembro 1987. Estádio Municipal de Chaves.
Naquele dia, na cidade, o termómetro assinalava que a febre azul-grená atingia os seus máximos de sempre, era o Chaves na Europa e não existia mais nada para além disso. Uma escola ali bem perto do estádio também era atingida pela "onda de choque" e naquela quarta-feira, numa sala de aula repleta de miúdos com pouco mais de dez anos, fazia-se um pequeno motim. O professor, adivinhando o fracasso das tentativas de controlar aquele alvoroço, ou quem sabe, porque também ele não queria perder o momento histórico, dá a aula por terminada pouco depois de começar. Seguiu-se, entre gritos eufóricos, uma correria pelos corredores, depois pelo recreio até ultrapassarem o portão do Ciclo, que naquela altura ainda não era Nadir Afonso. Sem que ninguém os impedisse. Livres, quais Capitães da Areia de Jorge Amado. Correram até ao estádio, mas foi como se voassem. E mal sabiam que se tratava de um momento único nas suas vidas. Cruzaram os portões do estádio com a mesma facilidade que tinham atravessado os da escola. O Topo Norte cheio. Bandeiras, cachecóis, confettis feitos de pedaços de folhas de jornal. Festa. Já estão todos os flavienses dentro do estádio? Então o jogo pode começar! Não foi bem assim, mas não devem ter sido poucas as lojas fechadas e as folgas nesse dia.
Anunciavam-se os onze heróis que subiriam ao relvado com a camisola do Grupo Desportivo de Chaves.Naquele dia, na cidade, o termómetro assinalava que a febre azul-grená atingia os seus máximos de sempre, era o Chaves na Europa e não existia mais nada para além disso. Uma escola ali bem perto do estádio também era atingida pela "onda de choque" e naquela quarta-feira, numa sala de aula repleta de miúdos com pouco mais de dez anos, fazia-se um pequeno motim. O professor, adivinhando o fracasso das tentativas de controlar aquele alvoroço, ou quem sabe, porque também ele não queria perder o momento histórico, dá a aula por terminada pouco depois de começar. Seguiu-se, entre gritos eufóricos, uma correria pelos corredores, depois pelo recreio até ultrapassarem o portão do Ciclo, que naquela altura ainda não era Nadir Afonso. Sem que ninguém os impedisse. Livres, quais Capitães da Areia de Jorge Amado. Correram até ao estádio, mas foi como se voassem. E mal sabiam que se tratava de um momento único nas suas vidas. Cruzaram os portões do estádio com a mesma facilidade que tinham atravessado os da escola. O Topo Norte cheio. Bandeiras, cachecóis, confettis feitos de pedaços de folhas de jornal. Festa. Já estão todos os flavienses dentro do estádio? Então o jogo pode começar! Não foi bem assim, mas não devem ter sido poucas as lojas fechadas e as folgas nesse dia.
Padrão, Cerqueira, Jorginho, Garrido, Gilberto, Diamantino, Vermelhinho, David, Radi, Slavkov, Serra.
Treinador: Raúl Águas.
(Jogaram ainda: Júlio Sérgio e Vicente)
(Jogaram ainda: Júlio Sérgio e Vicente)
As equipas entram em campo. Eu, impressionado com a figura do homem mais alto que alguma vez vira, volto-me para o colega ao lado e digo-lhe, cheio de certeza, que é impossível, que ninguém consegue meter a bola na baliza daquele gigante com o "1" do Craiova.
Mas não existiam desafios inalcançáveis para aquele Ferrari com a ponte romana sobre o Tâmega como símbolo, e os golos de Vermelhinho e Slavkov chegaram para que continuássemos naquela corrida chamada UEFA. A sonhar!
Chaves era conhecida pelo castelo, os pastéis, a ponte romana, o folar, o saber receber, o Tâmega, Nadir Afonso, as termas. Se dúvidas houvesse, naquele dia o Desportivo subiu definitivamente ao patamar de bandeira da cidade.