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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

À Noite Logo se Vê...

Quantas vezes terei pensado ou dito, no Topo Norte do Municipal, durante um jogo, depois de um fora-de-jogo duvidoso, um penalty não assinalado ou um golo anulado, a frase: "à noite logo se vê, no Domingo Desportivo".
A ironia é que o apresentador do Domingo Desportivo que melhor me recordo (ou talvez de uma das suas reencarnações com outro nome), Mário Zambujal, escreveu em 1986 um livro chamado precisamente "À Noite Logo se Vê". Não sei bem por que me ficou ele mais "gravado" na memória do que outros, talvez por ser aquele que seria menos provável a apresentá-lo, porque outros que por lá passaram, como Ribeiro Cristóvão, Gabriel Alves, Cecília Carmo ou Rui Tovar, os vi apresentar tantas outras coisas depois, que não ficaram apenas associados a este programa.
Penso que o sucesso do programa tinha a ver com a sua simplicidade, pouca "conversa", apenas uma ou outra entrevista, e depois os muito esperados resumos e "casos" da jornada da 1ª Divisão, das ligas estrangeiras (de que outra maneira podiam os portugueses ver os golos do Futre?, bem... havia aqueles que tinham a tv espanhola, mas essa, é outra história!) e até das modalidades, para além da lendária secção "golo da jornada". Haverá uma geração de portugueses, pelo menos, que deve muito do seu gosto pelo futebol, e pelo desporto em geral, a este programa.
Recordo-me de ficar acordado até muito tarde! Quer o jogo do Desportivo fosse fora, ou em casa e eu o tivesse visto no estádio, lá ficava eu ansiosamente à espera que o programa começasse para ver o resuminho do jogo!
Quando o jogo era fora, ouvia o relato na Rádio Larouco, mas depois era obrigatório ver o resumo para saber se os golos tinham sido como eu imaginava ou mesmo confirmar se o árbitro se tinha mesmo "esquecido" de marcar aquele penalty sobre o Radi, no empate no Estádio da Luz, como o relatador tinha dito!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Meus Domingos Foram Mais Belos Que os Vossos!

Esta é uma história sobre o tempo em que o futebol era ao Domingo à tarde!
Era a época dos dois canais da RTP e em que a televisão por cabo era quase ficção científica.
No inverno os jogos começavam às três da tarde e no verão eram às cinco, não tinha nada que enganar! À noite, só em jogo com os "grandes" e tinha de ser o escolhido para ser o único que era transmitido em cada jornada no 2º canal. Mas esses, eram muito poucos, e isso também os tornava especiais!
Estávamos na época em que os árbitros auxiliares eram os "bandeirinhas" e os os mais velhos nos lembravam que o futebol tinha sido inventado pelos ingleses quando lhes gritavam:

- Não vês que o gajo está "offside"? Ó seu  ##%$&§&$ !!!!!

Basicamente, Domingo era futebol. Até à hora do jogo,  "matávamos" o tempo a jogar lá no bairro, enquanto nos imaginávamos na pele dos craques. Eu era o Radi, claro, mas havia que preferisse ser o Slavkov e ás vezes lá éramos obrigados a ser o Fonseca, quando tínhamos que ir à baliza!
Naquele campo que era uma estrada asfaltada (ou de "piche", como alguns lhe chamavam), as horas iam passando entre interrupções para que os carros passassem e eternas discussões sobre se a bola tinha entrado ou não, depois de bater numa das pedras que faziam de baliza:

- Não entrou nada, passou por cima da pedra!
- És maluco? bateu na pedra e entrou!

Sabíamos a hora do jogo estava a chegar à medida que ia passando cada vez mais gente de cachecol ao pescoço, daqueles de "lã" com o G.D. CHAVES impresso a tinta e umas franjinhas nas pontas! Havia também uma versão em seda que fez sucesso!
Começava também a ouvir-se lá ao fundo, o quase imperceptível som (ruído seria uma definição mais apropriada!) das "cornetas" de donde invariavelmente saia este anúncio da boca do "speaker":
"Se vai para o mar prepare-se em terra, se vai para a estrada prepare-se na oficina ......!!!!" (infelizmente não me lembro do nome da oficina, ou talvez nunca o tenha percebido realmente, tal era a qualidade do som!).
Era sinal de que estava na hora, para mim tinha acabado a brincadeira e era tempo de ir até ao Municipal, para atalhar, atravessava pelo descampado da feira, por entre os carros estacionados, onde por vezes se viam senhoras de meia-idade, ás vezes com os filhos, a tricotar qualquer coisa. Eram as mulheres dos adeptos da equipa visitante, quem sabe vindos de Covilhã, talvez até de Elvas! Lembro-me de ficar a pensar o que levava aquelas almas a ficar ali fechadas, à espera dos maridos, durante duas horas.