sexta-feira, 22 de junho de 2012

"The Fighting Irish" e a serenata à chuva da "Geração de Ouro"


Junho de 2012. Dia chuvoso, a Irlanda entra em campo para defrontar  a selecção de um país da península ibérica. A quase totalidade de cada par de chuteiras dessa equipa é calçado por um génio do jogo. Nem sequer é preciso acompanhar muito de perto o futebol para  saber que os de verde têm pouquíssimas hipóteses. Aquele conjunto de jogadores, adversários deste dia, já fez história com a conquista de um Mundial e um EuropeuConsiderando unicamente o "actuação" dos adeptos nas bancadas o resultado seria bem diferente...


Novembro de 1995. Dia chuvoso, a Irlanda entra em campo para defrontar a selecção de um país da península ibérica.  A quase totalidade de cada par de chuteiras dessa equipa é calçado por um génio do jogo. Nem sequer é preciso acompanhar muito de perto o futebol para saber que os de verde têm pouquíssimas hipóteses. Aquele conjunto de jogadores, adversários  deste dia, já fez história com a conquista de dois Mundiais de sub-20



Autocarros vindos de todo o país desaguam nos estacionamentos junto ao Estádio José de Alvalade, ponto de encontro dos Ultras Portugal, a partir dali uma caminhada à chuva com escolta policial até à arena onde se disputará o acesso ao Euro 96. Ainda no exterior do Estádio da Luz, escutamos os últimos acordes da Portuguesa na voz de Rui Veloso. Por essa altura murmurava-se que pelas gargantas irlandesas tinha escorrido até à última gota de cerveja dos bares lisboetas. A história deixou de parecer tão exagerada quando já nas bancadas, do meu lado direito, uma mancha verde de vinte mil almas cantava em coro um arrepiante Sunday Bloody Sunday dos U2. Naquela noite bastava um empate à Geração de Ouro para qualificar Portugal, mas aqueles jogadores tinham sede de vitória e só sabiam jogar "para a frente". Ainda assim, foi preciso esperar até ao minuto 70 e por uma genialidade de Rui Costa para desembrulhar o marcador, para depois o central Hélder e o suplente Cadete fazerem o 3-0 final. Vestidos com aqueles inesquecíveis equipamentos Olympic, V. Baía, F. Couto, P. Sousa, Figo, João Pinto e Rui Costa apuravam Portugal para uma grande competição, dez anos depois do Mundial do México e levavam a Selecção para o patamar das melhores do mundo. Indiferentes à chuva e ao resultado os irlandeses continuavam com os cânticos e com a sua lição desportivismo e de apoio às suas cores independentemente do que possa acontecer dentro do relvado.
Naquela noite de Novembro de 1995 no estádio da Luz aprendemos uma grande lição....o melhor futebol, dentro do relvado, é "à portuguesa", nas bancada, a melhor maneira é "à irlandesa"...The Fighting Irish way.





2 comentários:

  1. Grande 1986,

    E Oceano. Oceano ... jogou a partida, e grande jogo fez. Essa sim era uma selecção, e uma que fazia-me gostar dela e (até) sofrer. Não é o caso desta. Desinteressei-me pela selecção Nacional quando todos esses jogadores deixaram de actuar.

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