quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Estranho Caso da Paixão pelas Camisolas do Dortmund

Versão 1995/96 
Borussia Dortmund 1-0 Bayern München. Foi preciso esperar até ao minuto 77 do jogo para que no visor do telemóvel aparecesse o resultado por mim esperado. O golo de Robert Lewandowski resolveu definitivamente a questão do titulo alemão da época 2011/2012.
Quem acompanha o futebol de forma mais próxima, sabe que normalmente primeiro aparece o amor pelo nosso clube, depois vamos acumulando Mundiais, Europeus, Competições da UEFA, descobrimos a Copa América, Libertadores e os diferentes Campeonatos Nacionais e é impossível, pelas mais diferentes razões, não ganhar afeição por clubes e selecções que aparentemente nada teriam a ver connosco. Quantos adeptos portugueses ganhou a Fiorentina quando lá chegou Rui Costa? Pela proximidade geográfica quantos transmontanos não se apaixonaram pela magnifica epopeia do Corunha nos tempos do SuperDepor? Quem era do Chelsea antes da era Mourinho? Alguém saberia as cores do Southampton se não tivesse por lá passado o mítico Matt Le Tissier. Quem não se lembra também de quando a Selecção só ia a uma competição internacional a cada duas décadas (66, 84 e 96) e muitos portugueses torciam pelo Brasil por ser o "país irmão". É óbvio que a onda Maradona trouxe para a selecção Argentina, o Boca Juniors e o Nápoles fãs para toda a vida! E quantos não continuam carinhosamente a acompanhar os resultados de um clube do meio da tabela da Bélgica ou Escócia porque aquela paixão de verão estrangeira de à muitos anos lhes deixou essa herança?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sporting 1 - 0 Benfica, Rábula do Lobo e da Girafa




O Lobo 
  • Os seus cérebros estão bastante desenvolvidos comparado com o resto dos animais, pelo que geralmente os tornam mais inteligentes. São animais predadores, pelo que o seu físico está adaptado para tal. Têm dentes fortes e afiados e poderosos músculos nas suas patas
  • A principal actividade que se leva a cabo numa matilha é a caça. As tarefas estão designadas previamente por cada indivíduo. Uma das vantagens dos lobos é a sua resistência, por isso, na altura de caçar será o seu trunfo para chegar perto da sua presa e capturá-la. 
  • A espécie dos lobos é considerada como uma super predadora. Significa que não tem competição externa de outros animais que determinem a sua população. Por isso, o seu nível de crescimento dependerá exclusivamente pela quantidade de alimento de que disponham.


A Girafa
  • As girafas dormem aproximadamente duas horas por dia e um pouco de cada vez. Elas dormem em pé e, apenas em ocasiões muito especiais, quando se sente completamente segura, se deita no chão para descansar. A girafa só se deita se estiver segura pois, caso um predador se aproxime, ela demora muito tempo para se levantar devido a seu tamanho.


Sem comentários......





(Foto cima: http://www.publico.pt/)
(Foto baixo: http://seromaradona.blogspot.com/ )

quinta-feira, 29 de março de 2012

Runaway Referee (Tradução para português: Rola em Fuga)

Era um Domingo de Novembro, ainda assim o Sol sentia-se generoso e os seus raios abraçavam o Municipal de Chaves em mais uma tarde de futebol do Nacional da 1ª de 92/93.
Frio, só mesmo o campeonato do Desportivo orientado por Henrique Calisto que apenas tinha ganho o 1ª jogo, e já estávamos na jornada 13. Os flavienses viam a equipa no fundo da tabela e no Topo Norte não restavam dúvidas de que havia "mão" da arbitragem no assunto. A empurrar para baixo, claro.
Naquela tarde o convidado era o Boavista do Major, treinado por Manuel José.
Em campo, de xadrez, entravam jogadores como Rui Bento, Tavares, o "mítico" Bobó ou os inesquecíveis brasileiros Artur e Marlon Brandão (o tal que ganhou a lotaria quando jogava no Valladolid). Pela parte do Chaves alinhavam históricos como Vítor Nóvoa, Lino (5ª época no clube, chegaria às 11), Paulo Alexandre (4ª época no clube, chegaria às 17!), Filgueira (5ª época), David (7ª época no clube, de 8), Manuel Correia (4ª época no clube, chegaria às 7), ou mesmo o flop Bakalov, que de craque só tinha (quase) o nome! Mas a figura, ou melhor o figurão da tarde, seria nem mais, nem menos que o homem de preto, António Rola.
O comentador diz no resumo "...o árbitro cometeu muitos erros, prejudicando mais o Desportivo de Chaves, especialmente no capítulo do fora de jogo...".
Tradução: arbitragem "inteligente" ao mais puro estilo "anos 90" (ou como dizia o outro, vocês sabem do que é que eu estou a falar!)




sexta-feira, 23 de março de 2012

234 x Messi

Cinquenta e sete anos depois Lionel Messi ultrapassa César Rodríguez como melhor marcador de sempre do F.C. Barcelona.

234 golos em 314 jogos:
184 com o esquerdo,
38 com o direito, 
10 com a cabeça
1 com a mão (vs Espanyol)
1 com o peito (vs Estudiantes de La Plata no Mundial de Clubes).

Vítimas favoritas:
Atlético de Madrid (18)
Sevilha (14),
Real Madrid (13) 
Racing Santander (12).
Xerez, Cádiz e Murcia são as únicas equipas que não sofreram golos do herdeiro de Maradona quando o defrontaram.

Todos os golos em 15 minutos:



Descobre as diferenças:

"O golo do século"



"La mano de Dios"




E quem foi César Rodríguez? ver aqui

O jogador em acção:

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sonho de Uma Noite de Verão (Maradona em Alvalade)

14 de Setembro de 1989 - Foi este o dia em que o fabuloso pé esquerdo de "El Pibe" pisou o "velhinho" José  Alvalade e saiu do relvado com a camisola com listas verdes vestida!
Jogava-se a 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça UEFA da época 89/90 e o Nápoles  era o "dono da Taça" depois de vencer o Estugarda na final e de ter vencido equipas como o Bordéus, Juventus e Bayern Munique até lá chegar. 
Como quase sempre, havia polémica em volta do craque. Naquele inicio de época o motivo foi o jogador ter ficado "retido" no país do Tango e as férias terem durado mais tempo do que o previsto. Já se falava até numa possível saída para o Tottenham.
Como não podia deixar de ser, a chegada do Campeão do Mundo à Portela foi uma loucura e mais uma oportunidade de ver uma "jogada" ao melhor estilo do então Presidente do Sporting, Sousa Cintra, que foi esperar o Argentino ao aeroporto (como se ele soubesse que era aquele personagem!). Reparem na felicidade quase infantil do senhor ao lado de um Maradona que tinha chegado à tão pouco tempo de férias que ainda trazia a camisa "havaiana".


Com o Presidente da República, Mário Soares, e o Primeiro Ministro, Cavaco Silva, na Tribuna (Será que até eles queriam ser o Maradona?), este jogo foi tudo menos normal.
Completamente fora de forma, Maradona iniciou o jogo sentado no banco! Entrou apenas aos 69 minutos com o "16" nas costas e para o lugar do "10" daquele dia, um tal de Massimo Mauro.
Vale a pena ver a reportagem de Manolo Bello do "antes, durante e depois" do jogo (tão diferente das de  hoje, não é?) e em que se faziam entrevistas em qualquer altura do jogo e a qualquer interveniente, não foram sequer esquecidas as Cheerleaders e até a um Jorge Coroado com "funções administrativas"!



Mas a grande questão que "surge" ao ver a foto do dono da "mano de Dios" equipado à Sporting é obviamente:
Quem foi o sortudo que ficou com a mágica azzurra, neste caso "16", da S.S.C. Napoli?
A resposta é: Carlos Xavier.
Muito bem entregue, digo eu, porque também ele era um grande criativo, apesar de o terem absurdamente encostado muitas vezes na lateral-direita. Mas ele era tão bom que até ai se saía bem!
Ah! é verdade, o jogo acabou zero-zero. Na 2ª mão também. Foi a penaltis e aí o Sporting foi eliminado. Mas o inesquecível Tomislav Ivkovic defendeu o penalti do Maradona e ai nasceu uma grande rivalidade que acabaria com outro penalti defendido num Jugoslávia-Argentina do Mundial de Itália 90 (mas essa, é outra história!).

O que eu sei é que naquele 14 de Setembro de 1989.... Eu Queria ser o Carlos Xavier e ficar com a "16" do Maradona!!


segunda-feira, 19 de março de 2012

Tem 39 anos e chama-se Rivaldo...


No dia 10 de Fevereiro escrevi "Uma Carta para Rivaldo", ele respondeu-me este fim de semana da melhor maneira possível e ao seu estilo. Três golos "à Rivaldo". No primeiro, o saber aparecer e adivinhar onde a bola "vai cair", depois de livre directo. No terceiro, é ver no vídeo, não tenho vocabulário suficiente para descrever com palavras!

Agora em Angola, "Vado do Seu Romildo" continua a dar lições de futebol.

Mais uma vez, obrigado por continuares.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Sporting só sabe ganhar yo.....

Matias sabe marcar yo                                                
Ricky sabe marcar yo
Sá Pinto sabe treinar yo
A claque sabe apoiar yei (2x)
















I
No Ettihad ponto de encontro
O Marat está concentrado
O Capel está acelerado
O Patrício está agigantado
Não há espiga
A festa é até ao fim do jogo
Matias em nova arrancada
À procura da última machadada
Todos nos prometem uma festa brindada
O nosso melhor empenho, o leão a brilhar
O Balotelli e o Mancini não sabem o que vão encontrar
Onze gajos grandes jogadores
Onze gajos sem concretos sem temores
Nós só queremos é diversão
Queremos é ganhar
Ninguém, ninguém, ninguém, ninguém, ninguém está preocupado
É pura ilusão que em Inglaterra é diferente
Na bancada da nossa gente
Temos um grand'ambiente
Os gajos do estrangeiro
Apanham no ar
Podemos rebentar, só te pedimos p'ra ganhar, p'ra ganhar yoooo

Matias sabe marcar yo
Ricky sabe marcar yo
Sá Pinto sabe treinar yo
A claque sabe apoiar yei (2x)

II
O City marca
Como te sentes
Um bocado atrofiado por ali, por ali
Tou disposto a sofrer
Tou disposto a tremer
Tu que conheces o Sporting e sabes
Que eu nós vamos ganhar
Liga Europa na desbunda
Eliminados pelo City?
Nãaaaaaaa
Já estamos nos Quartos?
Simmmmm
É tempo de curtir
Mas não me faltam postos para partir p'ra desbunda
Sexta, Sábado, Domingo e Segunda,
Se me quiseres encontrar
Vai a Alvalade procurar
Mas deprimido não vou estar
Porque eu só sei ganhar,
Porque eu só sei ganhar,

Matias sabe marcar yo
Ricky sabe marcar yo
Sá Pinto sabe treinar yo
A claque sabe cantar yei (2x)

É sempre a dar
É sempre a dar
É sempre a dar yo
A desbundar
A desbundar
A desbundar yo
É a partir
É a partir
É a partir yo
Até cair
Até cair
Até cair yeeeiiiiii (2x)

III
A temperatura a aumentar
Eu não aguento
Eu não aguento
Eu não aguento
Se o jogo não acaba
Eu arrebento
Tu podes brincar com o que quiseres, eu não me importo
Marcas mais um golo Balotelli e és um homem morto
É sempre a dar
É sempre a dar
É sempre a dar
Agora quero saber se estão a gostar
Se estão dispostos a isso
Quero ver as mãos no ar yeeeeeeeeeeiiii
Mas nós só sabemos ganhar
Mas nós só queremos ver o Sporting passar

O Sporting é o nosso grande amor yo
O Sporting é a nossa fé yo
O Sporting só sabe ganhar yei (2x)

(Qualquer semelhança com a música "Não sabe nadar" dos Black Company é mera coincidência!!)

terça-feira, 13 de março de 2012

Venham mais cinco...


Merelinense Futebol Clube 1-5 Grupo Desportivo de Chaves



















Sporting Clube de Portugal 5-0 Vitória Sport Clube (Guimarães)
































Venham mais cinco.....




Há fins-de-semana assim....


(Fotos do Chaves "desviadas" no Grupo do Facebook "Aconteça o que acontecer, sou do Chaves (GDC) até morrer!!!")
(Fotos do Sporting "desviadas" no Estádio de Alvalade) 




sexta-feira, 9 de março de 2012

É Sexta-Feira (Um golo bom, bom, bom)



Onde vou arranjar dinheiro para ganhar a esta equipa?

Não tenho condições nem pa arranjar jogadores com todos os tendões

Eles têm um Xeque árabe que lhes deu 300 milhões

Pois nós temos garra e dedicação, esforço e muitas devoções

Basta ser honesto e eu aceito propostas

Maquem mas é golos virados de costas

Hoje é quinta-feira e o Xandão vai já tratar disso



É sexta-feira,

O Sporting ganhou aquela equipa muito rica estrangeira

Com um golo de calcanhar do central Xandão

Um golo

Bom Bom Bom Bom…

E os Dzekos já sabem quem ele é,

Já, Já, Já…




(Qualquer semelhança com a música Sexta Feira (Emprego bom já) de Boss AC é mera coincidência!!)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Era uma Vez...


















Era uma vez quando o Chaves jogava com o Sporting na "Primeira"...

Era uma vez quando as equipas eram realmente portuguesas...

Era uma vez quando não havia publicidade nas nossas camisolas...

Era uma vez quando os estádios se enchiam ao Domingo à tarde...

Era uma vez quando havia amor à camisola...

Era uma vez quando eu tinha a minha "cadeira de sonho" a ver o emblema da Ponte Romana a jogar com o do Leão...

Era uma vez quando jogavam onze contra onze e no final ganhava o futebol...

Era uma vez quando não sabíamos o que eram SAD's nem VMOC's....

Era uma vez quando os Capitães eram adeptos e símbolos dos seus clubes...

Era uma vez António Borges e Manuel Fernandes.....

Era uma vez....

(Foto "desviada" no Grupo do Facebook "Aconteça o que acontecer, sou do Chaves (GDC) até morrer!!!")

quarta-feira, 7 de março de 2012

Terra à Vista (sítios onde vou parar a navegar à deriva por esse mar chamado net!)

Este post também se poderia chamar "coisas que só me interessam a mim mas que eu partilho na mesma!" :)


Para quem gosta daquelas histórias à volta do futebol (e percebe um bocadinho de Castelhano), deixo o link de um projecto chamado "Panenka", criado por um grupo de jornalistas, escritores, ilustradores e fotógrafos que é um site, um blog e uma revista mensal (que no mês seguinte a ser lançada pode ser comprada em versão PDF por 1€). Eu comprei a de Fevereiro e são 116 páginas a falar de jogadores como Miguel Ángel Sánchez Muñoz do Rayo Vallecano e Urko Vera do Hércules e de equipas como o US Ancona 1905 ou o Tampere Unitedin Kannattajat entre outras raridades! Eu, se pudesse, fazia uma igual!
Quem estiver interessado em dar uma vista de olhos no PDF é só contactar para o mail aqui à direita.
Ou como diz a nova do Manuel João Vieira e dos seus Ena Pá 2000..."ó por favor manda-me o PDF.."!

O link é http://www.panenka.org/

Mas nada melhor que deixar as palavras dos mentores da "coisa" em primeira pessoa:

quinta-feira, 1 de março de 2012

1987: Odisseia na Europa

Domingo, 31 de Maio de 1987. Estádio do Restelo. Última Jornada do Nacional da 1ª Divisão. Época 86/87.
O jogo acaba com a vitória do Desportivo sobre o Belenenses, um a zero, como golo de Garrido aos 37 minutos. O Chaves acaba o Campeonato em 5º lugar com mais três pontos que o adversário deste dia.


Quarta-feira, 16 de Setembro de 1987. Taça UEFA. Época 87/88. 1ª Eliminatória. 1ª mão.
O Desportivo chega a uma vantagem de dois  golos (Gilberto e Vermelhinho), os romenos recuperam e fazem três golos. Eliminatória em aberto.





Quarta-feira, 30 Setembro 1987. Estádio Municipal de Chaves.
Naquele dia, na cidade, o termómetro assinalava que a febre azul-grená atingia os seus máximos de sempre, era o Chaves na Europa e não existia mais nada para além disso. Uma escola ali bem perto do estádio também era atingida pela "onda de choque" e naquela quarta-feira, numa sala de aula repleta de miúdos com pouco mais de dez anos, fazia-se um pequeno motim. O professor, adivinhando o fracasso das tentativas de controlar aquele alvoroço, ou quem sabe, porque também ele não queria perder o momento histórico, dá a aula por terminada pouco depois de começar. Seguiu-se, entre gritos eufóricos, uma correria pelos corredores, depois pelo recreio até ultrapassarem o portão do Ciclo, que naquela altura ainda não era Nadir Afonso. Sem que ninguém os impedisse. Livres, quais Capitães da Areia de Jorge Amado. Correram até ao estádio, mas foi como se voassem. E mal sabiam que se tratava de um momento único nas suas vidas. Cruzaram os portões do estádio com a mesma facilidade que tinham atravessado os da escola. O Topo Norte cheio. Bandeiras, cachecóis, confettis feitos de pedaços de folhas de jornal. Festa. Já estão todos os flavienses dentro do estádio? Então o jogo pode começar! Não foi bem assim, mas não devem ter sido poucas as lojas fechadas e as folgas nesse dia.
Anunciavam-se os onze heróis que subiriam ao relvado com a camisola do Grupo Desportivo de Chaves.

Padrão, Cerqueira, Jorginho, Garrido, Gilberto, Diamantino, Vermelhinho, David, Radi, Slavkov, Serra.
Treinador: Raúl Águas.
(Jogaram ainda: Júlio Sérgio e Vicente)

As equipas entram em campo. Eu, impressionado com a figura do homem mais alto que alguma vez vira, volto-me para o colega ao lado e digo-lhe, cheio de certeza, que é impossível, que ninguém consegue meter a bola na baliza daquele gigante com o "1" do Craiova.
Mas não existiam desafios inalcançáveis para aquele Ferrari com a ponte romana sobre o Tâmega como símbolo, e os golos de Vermelhinho e Slavkov chegaram para que continuássemos naquela corrida chamada UEFA. A sonhar!
Chaves era conhecida pelo castelo, os pastéis, a ponte romana, o folar, o saber receber, o Tâmega, Nadir Afonso, as termas. Se dúvidas houvesse, naquele dia o Desportivo subiu definitivamente ao patamar de bandeira da cidade.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"Maradona by Kusturica"

Documentário de 2008, para entender melhor um homem muito particular, visto pelos olhos do não menos singular Realizador sérvio Emir Kusturica (também músico no seu projecto Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra) e autor de filmes como "Underground" e "Gato Preto, Gato Branco".








"Maradona by Kusturica"

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Dias de Tempestade

Sexta-feira, 20 de Dezembro de 1996. Chaves.
Olho para as paisagens desenhadas nos painéis de azulejos da estação sem realmente as ver. Levanto a cabeça na direcção do enorme relógio que emerge da parede. Posso jurar que o ponteiro mais comprido devora os minutos mais depressa do que é costume. Não vou chegar a tempo. Por fim a voz do costume, "...senhores passageiros, vai dar entrada na linha número um, o comboio regional com destino a Porto-Campanhã...". Ponho a mochila ás costas e salto para dentro da carruagem. O comboio insiste em parar em infinitas estações e apeadeiros com pouca pressa em chegar ao destino. Campanhã. Troco de "diligência" até São Bento. Corro pela Rua Sá da Bandeira,  para não perder o autocarro, desta vez sem reparar na fachada que diz que o melhor café é o d'A Brasileira. Chego a Chaves. Sou recebido por uma chuva miudinha. A imponência do Castelo obriga-me a olhar de relance para ele. Atravesso a Cidade. Paro em casa para "despejar" a mochila. Sai-me apenas um "tudo bem? vou ver o jogo". Como resposta ouço um "vais assim....não comes nada?". Agarro qualquer coisa para comer e já estou a sair. Ainda me chega aos ouvidos um "Olha que está a chover! leva o guarda-chuva". Não levo. Avisto a  parede de pedra do estádio e ganho fôlego para continuar em passo de corrida. A chuva ganha mais força. Uma cara atrás de uma abertura com rede metálica diz-me o preço dos bilhetes. Topo Sul é o mais barato. Contorno o estádio já com a roupa encharcada colada ao corpo. O jogo já começou. Devo ter perdido dez ou quinze minutos. Encosto-me á parede na esperança de que assim a chuva se esqueça de mim. Devia ter trazido o guarda-chuva. Alguém me oferece abrigo debaixo do seu. Aceito. Como se ainda valesse a pena. No relvado, uma batalha. Onze guerreiros de azul-grená, onde se inclui um armada espanhola, combatem um exército de onze verdibrancos. O dilúvio e o frio do inverno transmontano que os castiga transformam o jogo numa batalha épica. Não há golos. Minuto setenta e seis. Junto à linha de meio-campo, levanta-se a placa "7". Ricardo, de leão ao peito, abandona o campo pelo lado oposto, directamente para a "cabine" dos visitantes. "Gooolooooo". Parte do estádio levanta-se eufórico. Á minha frente, da entrada para os balneários, em voo, punho no ar, como se de uma figura de banda desenhada da japonesa Manga se tratasse, emerge novamente Ricardo. Rebelde, visceral, excessivo. Em frente, a claque azul-grená, incendiada pela provocação. Ricardo continua. Dentes cerrados, agora com os pés fincados no chão, joelhos flectidos e os dois punhos para a frente, apertados. É o que mais festeja. Como se a sua vida dependesse daquela bola ter entrado na baliza. Não há dúvida que tem coração de leão. Dirijo a atenção novamente para a relva. O árbitro gesticula. O golo não vale, é anulado. A claque flaviense tem a sua vingança, esta servida ainda a quente. A rede que separa aquela fúria transmontana do relvado abana com a força dos braços revoltados, com a raiva dos protestos contra o jogador. Ricardo desaparece novamente no túnel. A "batalha" termina. Zero a Zero.

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012. Varsóvia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Meu Pé Esquerdo

Entro no carro, ligo o rádio, "....notícia do dia.....Domingos Paciência já não é treinador do Sporting! Para o seu lugar é promovido, o até agora treinador dos juniores, Ricardo Sá Pinto...."
Um sopro,....lá vamos nós outra vez, penso eu, adivinhando a "balbúrdia" que se avizinha, e sem saber se ficar triste ou contente......


No início da década de 90, eu arriscava-me a ser desses poucos portugueses, mesmo os que não ligam "à bola", que não torcem por nenhum dos três grandes. Os anos de ouro do Desportivo de Chaves não tinham deixado espaço para mais. Nem a influência familiar vermelha, nem o recente calcanhar de Madjer me tinham atraído para a "causa".
Do Sporting, sentia admiração por uns adeptos que se mantinham fiéis e enchiam o estádio apesar de não ganharem o campeonato há muitos anos.
Enquanto o mundo prestava mais atenção a uma estrela búlgara em ascensão, Hristo Stoichkov, que tinha chegado a Barcelona para fazer história no Dream-Team de Johan Cruyff, chegava a Alvalade, silenciosamente, vindo do mesmo país , um jogador com o nome de Krassimir Guenchev Balakov, de 24 anos.
Mas depois de Radi, eu já sabia o que podia valer um búlgaro chegado de forma quase anónima e este, esquerdino, cabelo encaracolado e com o "10" nas costas, fazia-me lembrar alguém!
Não me enganei, e por "culpa" dele, de camisola verdibranca da UMBRO com os dizeres "bonança" vestida comecei a prestar atenção aos jogos do clube com o escudo do Leão.
Os livres directos, os penaltis à Panenka, as arrancadas desde o meio campo à Maradona. Golos de pé esquerdo, pé direito, de dentro e de fora da área, passes, assistências e tabelinhas. Um verdadeiro compêndio do futebolista total!
Espero até que a memória me atraiçoe e não tenha sido mesmo ele a marcar de canto directo ao meu Desportivo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"Meu Coração Não Tem Divisão"


Em 2008 o Corinthians "caiu" na série B brasileira, um grupo de três fotógrafos acompanhou a torcida do Timão, considerada a mais apaixonada do Brasil,  pelos campos da 2ª divisão e produziu uma foto-reportagem a que chamaram: "Alma de Torcedor - Meu Coração Não Tem Divisão".
Um grande exemplo de adeptos que chegaram a fazer 27 horas de viagem pelo país, "apenas" para apoiar o seu clube!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Em Nome do Pai (uma carta para Rivaldo)

 Caro Rivaldo,

Num dia de Janeiro deste ano, ao abrir os jornais do dia ou os habituais sites da internet, todos referiam com maior ou menor destaque, a noticia, que tu, aos 39 anos, ias jogar para um clube de que eu nunca tinha ouvido falar, do Girabola, o quase incógnito campeonato Angolano!
Muitos logo disseram que "arrastas" demasiado a tua carreira.
Mas eu digo-te, ainda bem continuas! Com certeza que não é por dinheiro, a glória a que chegas-te em Barcelona com certeza que se traduziu eu igual sucesso para a tua conta bancária.
Depois de jogares em clubes como o Palmeiras, Deportivo da Corunha, FC Barcelona e AC Milan, de onde saíste com 31 anos, podias ter ido pelo caminho mais fácil e dito os habituais, "retiro-me enquanto ainda estou no auge" ou "já não tenho prazer em treinar". Mas não, continuas-te!  E sabes uma coisa? Fizeste bem! 
Jogas-te na Grécia, no Uzbequistão, voltas-te ao teu Brasil e agora vais para o Girabola. Eu, se tivesse o teu talento, faria como tu!
Quero acreditar que continuas a jogar porque amas o jogo. Aconteceu jogares no Camp Nou e no San Siro, mas estou certo que continuarias a disfrutar da mesma maneira se nunca tivesses saído do anónimo campo de Gonzagão, lá no Nordeste Brasileiro, onde jogavas quando ainda eras o "Vado do Seu Romildo", o moleque pobre e subnutrido que jogava descalço, ou talvez jogues em memória do teu Pai "Seu Romildo", que com grande sacrifício te ofereceu as tuas primeiras chuteiras, quando já tinhas 13 anos!
Quando chegas-te ao Super-Depor, eu nunca tinha ouvido falar de ti, a verdade é que só reparei quando começas-te a fazer aqueles remates de fora da área, fazias aquele movimento só teu, ficavas suspenso no ar, a bola saia-te do pé esquerdo e, talvez agradecida pela forma delicada como a tratavas, mantinha-se ali, a um palmo da relva e já todos sabiam que ia entrar na baliza juntinho a um dos postes, estivesse na porteria um guarda-redes da 2ª divisão num jogo da Copa, ou fosse o soberbo "Gigi" Buffon em partida da Champions. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

À Noite Logo se Vê...

Quantas vezes terei pensado ou dito, no Topo Norte do Municipal, durante um jogo, depois de um fora-de-jogo duvidoso, um penalty não assinalado ou um golo anulado, a frase: "à noite logo se vê, no Domingo Desportivo".
A ironia é que o apresentador do Domingo Desportivo que melhor me recordo (ou talvez de uma das suas reencarnações com outro nome), Mário Zambujal, escreveu em 1986 um livro chamado precisamente "À Noite Logo se Vê". Não sei bem por que me ficou ele mais "gravado" na memória do que outros, talvez por ser aquele que seria menos provável a apresentá-lo, porque outros que por lá passaram, como Ribeiro Cristóvão, Gabriel Alves, Cecília Carmo ou Rui Tovar, os vi apresentar tantas outras coisas depois, que não ficaram apenas associados a este programa.
Penso que o sucesso do programa tinha a ver com a sua simplicidade, pouca "conversa", apenas uma ou outra entrevista, e depois os muito esperados resumos e "casos" da jornada da 1ª Divisão, das ligas estrangeiras (de que outra maneira podiam os portugueses ver os golos do Futre?, bem... havia aqueles que tinham a tv espanhola, mas essa, é outra história!) e até das modalidades, para além da lendária secção "golo da jornada". Haverá uma geração de portugueses, pelo menos, que deve muito do seu gosto pelo futebol, e pelo desporto em geral, a este programa.
Recordo-me de ficar acordado até muito tarde! Quer o jogo do Desportivo fosse fora, ou em casa e eu o tivesse visto no estádio, lá ficava eu ansiosamente à espera que o programa começasse para ver o resuminho do jogo!
Quando o jogo era fora, ouvia o relato na Rádio Larouco, mas depois era obrigatório ver o resumo para saber se os golos tinham sido como eu imaginava ou mesmo confirmar se o árbitro se tinha mesmo "esquecido" de marcar aquele penalty sobre o Radi, no empate no Estádio da Luz, como o relatador tinha dito!